
Tive a satisfação de ser uma das autoras de um estudo publicado na Ophthalmology, uma das mais importantes revistas científicas de oftalmologia do mundo, que investigou uma questão muito interessante: medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, como a semaglutida (princípio ativo do Ozempic), poderiam estar associados também a benefícios para a saúde ocular?
Essas medicações ficaram mundialmente conhecidas pelo tratamento do diabetes e, mais recentemente, pelo seu uso no controle do peso. Nosso estudo avaliou especificamente pacientes com diabetes tipo 2 tratados com agonistas de GLP-1 e comparou seus resultados com pacientes tratados com metformina.
Os resultados chamaram atenção: os pacientes que utilizaram agonistas de GLP-1 apresentaram menor risco de desenvolver glaucoma primário de ângulo aberto e hipertensão ocular. Em três anos, por exemplo, o risco de diagnóstico de glaucoma foi aproximadamente 41% menor no grupo que utilizou GLP-1 quando comparado ao grupo tratado com metformina. Também observamos menor necessidade de iniciar tratamentos para glaucoma, como colírios ou laser.
Esses resultados levantam uma possibilidade muito interessante: além de seus conhecidos efeitos metabólicos, os agonistas de GLP-1 podem ter efeitos benéficos também sobre a saúde ocular.
É importante ressaltar, entretanto, que nosso estudo demonstrou uma associação e não significa que medicamentos como Ozempic devam ser utilizados para prevenir ou tratar glaucoma. Novas pesquisas são necessárias para compreender melhor essa relação e os possíveis mecanismos envolvidos.
Participar de pesquisas como essa é especialmente estimulante porque nos permite investigar fatores que vão muito além da pressão ocular e podem abrir novos caminhos para entender, prevenir e tratar o glaucoma no futuro.
