
Em 2024, tive a satisfação de ser uma das autoras do estudo “Corneal Endothelial Safety Profile in Minimally Invasive Glaucoma Surgery”, publicado no Journal of Cataract & Refractive Surgery (JCRS).
Neste trabalho, avaliamos um aspecto fundamental das cirurgias microinvasivas de glaucoma (MIGS): a segurança de longo prazo dos dispositivos implantados dentro do olho em relação às células do endotélio da córnea.
O estudo comparou três dispositivos MIGS — iStent inject, Hydrus Microstent e CyPass Micro-Stent — utilizando dados de estudos clínicos randomizados com acompanhamento de até 5 anos.
O endotélio é uma camada extremamente delicada de células localizada na parte interna da córnea e essencial para manter sua transparência. Como essas células praticamente não se regeneram, entender se um implante intraocular pode acelerar sua perda é fundamental para determinar a segurança de uma nova tecnologia no longo prazo.
Nosso estudo mostrou que nem todos os dispositivos MIGS apresentam o mesmo comportamento em relação à córnea. A localização e o desenho do implante podem influenciar sua interação com as estruturas internas do olho e, consequentemente, seu perfil de segurança endotelial.
Esse tipo de pesquisa reforça um princípio muito importante no tratamento do glaucoma: não basta uma cirurgia ser eficaz na redução da pressão intraocular. Precisamos também avaliar cuidadosamente sua segurança e seus efeitos sobre o olho ao longo dos anos.
Tenho grande satisfação em participar de pesquisas que ajudam a compreender a segurança de longo prazo das novas tecnologias e contribuem para uma seleção cada vez mais criteriosa e individualizada das cirurgias de glaucoma.
